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| Parceria universidade-empresa garante tecnologia para incineração de resíduos | ![]() |
A indústria coureiro-calçadista é uma das mais importantes do País. Só no RS, estima-se que cerca de 112 mil empregos estejam relacionados com este setor, que possui cerca de 4 mil empresas em todo o País, 80% das quais situadas no Estado, mais especificamente no Vale dos Sinos (os dados foram fornecidos pelo Fundacouro e não incluem alterações decorrentes da crise cambial dos últimos meses). Os números relativos à produção dessa indústria - e, por via de consequência, de produção de resíduos - também são elevados (veja mais detalhes no quadro, nesta página). Estima-se que sejam usadas anualmente 24 milhões de peles bovinas, 80% dos quais são curtidos através de sais de cromo, e por isto seus resíduos são considerados tóxico "classe 1" pelas normas da ABNT: os mais perigosos, que apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente. O cromo do curtimento fica contido nos resíduos do processo de preparação da pele nas chamadas rebaixadeiras, cilindros com navalhas que lixam e aparam o couro, para que mantenha a mesma espessura em toda a extensão. Para cada couro processado, são produzidos entre dois e 14 quilos desse farelo de pó e aparas que, ao final de um ano, chegam perto de 130 mil toneladas, só no Rio Grande do Sul. No Japão, o destino desse tipo de resíduo tem sido a incineração, desde 1976, quando começaram a ser testadas não apenas as condições da queima como inclusive a recuperação do cromo contido nas cinzas. Esse processo, previsto para uma segunda etapa do atual projeto de incineração, pode chegar a representar uma economia de mais de 20 milhões de dólares por ano, estimativa do valor gasto com a importação do cromo para o curtimento. A incineração também vem sendo usada na França, na Alemanha, Espanha e nos Estados Unidos, sempre através de processos controlados que garantem níveis aceitáveis de emissão de dióxido de carbono, águas e cinzas, sem dioxinas e furanos (substâncias altamente tóxicas produzidas por processos de incineração em altas temperaturas). Além disso, as cinzas resultantes dessa queima não devem conter o cromo 6 (hexavalente), também com alto potencial tóxico. No RS, atualmente, o resíduo dos curtumes ainda vem sendo acumulado em aterros sanitários ou "lixões", visivelmente inapropriados, porque são constantemente lixiviados pela chuva e vão contaminar o lençol freático, explica o coordenador do projeto. Já existem instalações um pouco mais seguras, as chamadas ARIPs, que são valas padronizadas, com mantas plásticas impermeáveis e aterramento constantes. Mas mesmo essas, segundo a equipe de pesquisadores, apresentam riscos, seja de falta decontrole permanente do processo, seja de ruptura da impermeabilização, além de custarem caro (cerca de US$ 5,00 o metro cúbico) e não representarem nenhuma possibilidade de retorno econômico ou social. Já estão instalados no Departamento de Engenharia Química da Escola de Engenharia dois incineradores de bancada, um em leito fixo e outro em leito fluidizado (dois processos diferenciados de incineração). O primeiro entra em operação ainda em fevereiro e o segundo estará operando até o final de março, informa o professor Thober (316-3575). A incineração controlada cientificamente representa um fator de proteção ambiental e de economia nos custos de produção. Sua vantagem mais facilmente mensurável é a brusca redução no volume do resíduo (as cinzas representam cerca de 5% do volume do resíduo queimado), que potencializa a capacidade das ARIPs já instaladas, além de permitir o aproveitamento industrial da energia gerada pela combustão. E, num futuro previsível, o resíduo poderá ser reciclado. Cerca de 50% da cinza é composto de cromo, com alto concentrado metálico, em teores muito superiores ao de qualquer mina extrativa. O controle dessa tecnologia de incineração dos resídulos cromados de curtumes poderá representar a economia desse custo na produção coureiro-calçadista gaúcha, tornando-a mais competitiva nacional e internacionalmente.
Fonte: Jornal da Escola de engenharia - UFRGS
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