Solvay admite que depósito de cal em Santo André (SP) está contaminado por dioxinas - Greenpeace pede imediata descontaminação da área e alerta para risco de caso virar "pizza tóxica"

A multinacional belga Solvay admitiu que o seu depósito de cal, de 200 mil metros quadrados (equivalentes a 20 campos de futebol) em Santo André (SP), está realmente contaminado por dioxinas e que este lixo tóxico foi um dos responsáveis pela contaminação do farelo de polpa cítrica vendido à Europa causando um escândalo na Alemanha no ano passado (1).

A declaração foi dada por diretores da empresa durante uma visita do Ministério Público à fàbrica para investigar duas denúncias do Greenpeace. A primeira, feita em dezembro de 1998, refere-se à suspeita de contaminação do braço do Rio Grande por mercúrio e dioxinas provenientes da unidade industrial da Solvay. A segunda, feita em abril deste ano, é sobre o depósito com cerca de 1 milhão de toneladas de cal contaminada por dioxinas.

A Solvay diz, entretanto, que não foi a única fonte de contaminação do farelo de polpa cítrica, o que significa que existem ainda outras fontes de contaminação por dioxinas no Brasil ainda não reveladas. Apesar de assumir que o seu depósito de cal está contaminado por dioxinas, a empresa quer discutir um cronograma para a descontaminação e espera que parte do lixo tóxico ainda seja vendida para a construção civil.

"Acreditamos que esta intenção da Solvay é totalmente fora de propósito", diz Délcio Rodrigues, Coordenador de Campanhas do Greenpeace. "O que a empresa tem de fazer é descontaminar a área em regime de urgência, sem mais perda de tempo. Não aceitamos em hipótese alguma a possibilidade de venda da cal contaminada para a construção civil."

O Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa de São Paulo Deputado Gilmar Tatti e o Deputado Federal Fernando Gabeira, que também participaram da visita à fábrica da Solvay, se comprometeram a investigar quais são as outras fontes de contaminação da polpa cítrica e quem usou a cal contaminada. Eles também prometeram trabalhar pela descontaminação da área em regime de urgência.

"É fundamental que se descubra de uma vez por toda quem consumiu essa cal contaminada e quais são os outros focos de contaminação de dioxina existente no país. Por menos do que isso, o governo belga caiu. Não podemos permitir que no Brasil o assunto vire uma enorme pizza tóxica", diz Délcio Rodrigues.

 



Mais Informações:
greenpeace.brazil@dialb.greenpeace.org

Cópias dos seguintes relatórios podem ser obtidos na home page do Greenpeace:

Contaminação do Rio Grande por dioxinas e mercúrio: www.greenpeace.org.br/biblioteca/relatorios/relatoriosolvay.doc

Depósito de cal contaminada por dioxinas:

www.greenpeace.org.br/biblioteca/relatorios/relcpp.doc

 

Nota ao Editor

 

(1) Em 1998, a União Européia suspendeu a importação do farelo de polpa cítrica brasileiro que estava também contaminado por dioxinas – uma das substâncias químicas mais tóxicas que existem. Em março último, o Greenpeace revelou que a fonte da contaminação era o braço brasileiro da multinacional belga Solvay, localizada em Santo André, São Paulo.

De acordo com documentos aos quais o Greenpeace teve acesso no Brasil e na Europa, pesquisadores seguiram o rastro da contaminação e chegaram a um depósito de resíduos tóxicos na fábrica da Solvay no ABC paulista. O depósito com 200 mil m2, abriga mais de 1 milhão de toneladas de cal contaminada com dioxinas. O Brasil exportava cerca de 1,5 milhão de toneladas de polpa cítrica para Europa para uso na formulação de ração animal, um negócio de US$ 100 milhões ao ano.

Após a denúncia do Greenpeace, a Cetesb (agência ambiental de São Paulo) lançou nota pública confirmando a contaminação da cal com dioxinas e a proibição da comercialização deste lixo tóxico em vigor desde agosto de 1998. Segundo a nota, foi a Solvay que forneceu cal para a indústria de polpa cítrica. Em declaração à imprensa, o então Coordenador Geral de Produção Animal do Ministério da Agricultura, Hygino de Carvalho, também confirmou a denúncia afirmando que "a contaminação do farelo vem da cal com resíduos procedentes da Solvay."

A lista de clientes que podem ter utilizado a cal contaminada pela Solvay é bastante ampla e inclui fabricantes de adubos e fertilizantes, indústria química e construção civil. Até agora, o Ministério da Agricultura não apresentou nenhum dado comprovando a existência de investigação para verificar a possível contaminação por dioxinas em produtos comercializados no pais.

Fonte: Greenpeace Brasil