Congresso em BH discute novas oportunidades de investimentos em meio ambiente


12 de agosto, 1999

Os empresários brasileiros não querem perder o bonde no mercado de produtos e serviços ambientais, setor que, no mundo todo, está crescendo a taxas aceleradas. Para debater as novas e lucrativas oportunidades de negócios que surgem dentro do espírito do desenvolvimento sustentável, a CNI e a FIEMG – Federação das Indústrias de Minas Gerais reuniram mais de 400 participantes de 16 países no congresso Meio Ambiente - Oportunidades de Negócios, realizado nos dias 12 e 13 deste mês, no Minas Trade Center, em Belo Horizonte.

A dimensão deste mercado é gigantesca. Citando dados do Unctad (Conselho das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, abriu o seminário dizendo que a previsão de gastos globais com bens e serviços somente em controle de poluição ficará entre US$ 300 e 600 bilhões no ano que vem. A melhoria da eficiência energética consumirá US$ 250 bilhões nos próximos 20 anos, e o mercado de serviços ambientais (principalmente saneamento) já movimenta em torno de US$ 500 bilhões por ano.

A fatia dos países de desenvolvimento neste mercado é de apenas 13%. Por isto - e apesar do unânime reconhecimento de que o setor industrial vem-se adequando rapidamente ao modelo do desenvolvimento sustentável - o presidente da FIEMG, Stefan Salej, destacou a necessidade urgente de formar novas parcerias para desenvolver tecnologias, produtos e serviços para brigar por espaço neste setor, no esforço que qualificou de "tarefa para as novas cabeças empresariais". Segundo ele, "a biodiversidade é a grande reserva de mercado para o próximo século".

O ritmo com que as convenções e os tratados internacionais vêm-se acelerando foi destacado pelo engenheiro Luiz Reolon, coordenador da Dirección Nacional de Medio Ambiente do Uruguai, ao discorrer sobre a Visão do Mercosul. A dificuldade de internalizar os princípios da Agenda 21 nas várias dimensões de um bloco de países como a União Européia foi destacada pela belga Mary Sancy, da Comissão Européia para Meio Ambiente, Segurança Nuclear e Proteção Civil. A analista do Environmental Affairs Branch Industry do Canadá, Lina Dunn, relatou vários casos de empresas que se adequaram às novas exigências ambientais dos consumidores, e a presidente da Fundação Biodiversitas, Aspásia Camargo, fechou o painel A Agenda 21 e as Convenções Internacionais lembrando a enorme vantagem dos países desenvolvidos, que já asseguraram mercados para suas tecnologias e produtos e criticando a passividade do empresariado brasileiro diante de oportunidades de negócios que já são evidentes.

Fonte: CNI