CNI entrega Prêmio de Ecologia 1999

O primeiro vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira, representando o presidente da entidade, senador Fernando Bezerra, que está em missão oficial no exterior, o presidente do seu Conselho de Meio Ambiente, Stefan Salej, e o Ministro da Ciência e Tecnologia, Bresser Pereira, além de outras autoridades, entregaram nesta quarta-feira (09/06), os troféus e os diplomas às empresas vencedoras do Prêmio CNI de Ecologia 1999. A premiação é concedida aos projetos empresariais que mais se destacaram na defesa do meio ambiente em seis categorias: conservação dos insumos de produção, resíduos sólidos, recursos hídricos, educação ambiental, micro e pequenas indústrias e qualidade do ar.

Em pronunciamento, na solenidade de entrega dos Prêmios, o primeiro vice-presidente da CNI, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira, destacou a importância dessa iniciativa da CNI para a defesa do meio ambiente e o uso racional dos bens da natureza. "Este Prêmio é uma efetiva contribuição aos esforços da sociedade brasileira em favor da preservação ecológica e, sobretudo, revela a postura vanguardeira do setor produtivo com relação ao meio ambiente", afirmou.

Na opinião de Moreira Ferreira, a adesão de ponderável parcela da comunidade empresarial à terceira edição do Prêmio CNI de Ecologia, faz com que essa iniciativa "converta-se, progressivamente, em eficaz instrumento de conscientização da necessidade de compatibilizar o processo produtivo e o equilíbrio ecológico, como requisito fundamental para o desenvolvimento sustentado".

Discorrendo sobre a importância da premiação para o setor industrial, o presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da CNI, Stefan Salej, que também preside a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), afirmou que "a CNI é a ONG (Organização Não-Governamental) mais ativa do Brasil no meio empresarial, aquela que está na vanguarda do desenvolvimento sustentável". Para Salej, o prêmio aponta ainda para a tendência de que não só indústria, mas outros segmentos econômicos, como agricultura e serviços, se comprometam efetivamente com o desenvolvimento sustentável.

O ministro Bresser Pereira, que encerrou a cerimônia, disse que "num processo em que precisamos ser competitivos internacionalmente, é necessário que saibamos defender nossos interesses e nisso não podemos admitir que quem protege o meio ambiente são somente países desenvolvidos, abertos ao resto do mundo". Segundo ele, o Brasil, além de ser um país que hoje é reconhecidamente preservador do meio ambiente, abriu sua economia mais que a Europa e precisa ser reconhecido por isso. "A CNI está assim cumprindo com suas funções ao lançar essa campanha de esclarecimento sobre a preservação do meio ambiente pela indústria", disse. Bresser anunciou que seu Ministério estuda um programa de desenvolvimento tecnológico para defesa do meio-ambiente urbano.

O júri do Prêmio CNI de Ecologia, presidido por Mauro Ribeiro Viegas, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), selecionou os projetos vencedores entre 54 inscritos em 1999, número que superou os 40 inscritos no ano passado e as 20 inscrições verificadas em 1997, quando da criação do Prêmio.

As empresas vencedoras foram as seguintes, por categoria:

 

  • Recursos Hídricos - Sadia S.A.(Santa Catarina);
  • Resíduos Sólidos - Alunorte (Pará);
  • Educação Ambiental - OPP Petroquímica AS/Trikem (Bahia);
  • Conservação dos Insumos de Produção - AGCO do Brasil Comércio e Indústria Ltda (Rio Grande do Sul);
  • Qualidade do Ar - Petrobrás Distribuidora S.A (Rio de Janeiro)
  • Micro e Pequena Empresa - Cooperativa Agropecuária de Cantagalo - COOPAC (Rio de Janeiro).
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Os projetos vencedores

 

O projeto da Sadia, intitulado "Tecnologias Economicamente Sustentáveis para Redução do Potencial Poluidor para Indústrias Frigoríficas", é composto de quatro subprojetos. O primeiro deles é o de controle de poluição com ações na redução de insumos, que se baseia na coleta seletiva de lixo. Há ainda o subprojeto de recuperação de águas para fins menos nobres, um de tratamento de efluentes "inside factory" e monitoramento de emissões efetuado com controle instantâneo de vazão.

 

Produção de cerâmica vermelha a partir de resíduo de extração do óxido de alumínio e produto secundário da indústria de alumínio e caulim. Este é o projeto da Alunorte - Alumina do Norte do Brasil S/A, empresa do setor químico. Ele consiste em utilizar o resíduo da extração do óxido de alumínio, alumina, a partir do processamento da bauxita com soda cáustica, conhecido como "lama vermelha", na composição da "massa cerâmica". O teor residual de soda cáustica é controlado pela passagem em 5 tipos de lavadores-espessadores e na etapa final em filtros à vácuo, fazendo com que a soda remanescente no resíduo seja extremamente baixa. Após a lavagem, a lama é transportada por caminhões até o depósito de resíduos, onde é armazenada em lagos revestidos com filme de polietileno. Estima-se um consumo de 170 mil toneladas de lama por ano, consequentemente menos necessidade de utilização da argila natural. A empresa investiu US$ 1,2 milhão no projeto.

O projeto da Petroquímica SA/Trikem, Arte com Plástico, vencedor da categoria Educação Ambiental, evidencia o compromisso da empresa com a preservação do meio ambiente. Transmitindo conhecimento sobre a reciclagem de materiais e estimulando a criatividade, na busca do mais adequado gerenciamento do lixo, principalmente plástico. O programa foi levado às praias durante o verão, às escolas durante o período letivo e às fábricas da empresa durante o ano. O projeto contou com a participação de 9.452 crianças, teve um custo de R$ 510 mil e gerou 320 empregos diretos e 510 indiretos.

O projeto de Implantação de Tecnologias Limpas na empresa AGCO do Brasil baseia-se na aplicação de tecnologias não poluentes em várias etapas do processo dessa empresa do setor mecânico, com um custo de aproximadamente R$ 1.885,00 e trazendo benefícios econômicos da ordem de R$ 103 mil por ano.

O Programa Siga Bem é o título da experiência premiada da Petrobrás Distribuidora S.A. e consiste numa rede especial de postos que tem como objetivo oferecer serviços diferenciados realizando pequenas intervenções em caminhões, tais como: avaliação de consumo/emissões, limpeza de tanques de combustíveis, dos bicos injetores etc. Há também a orientação do caminhoneiro através de vídeos educativos. O investimento para a implantação do projeto é de US$ 80 mil por posto e o de operação é de US$ 31,3 mil por posto. Só em 1998 foram construídos 13 postos e houveram 28.913 atendimentos e 17.317 intervenções nos motores através do programa.

 

"Eco Leite - gestão ambiental num ambiente de cooperativismo" foi a experiência apresentada pela Cooperativa Agropecuária de Cantagalo e premiada pela CNI na categoria micro e pequena empresa. O projeto demonstra que parcerias entre setores industrial (laticínios), acadêmico (universidades e centros tecnológicos) e financeiro (agências e instituições de fomento) resultam em aumento de competitividade/lucratividade, capacitação de recursos humanos e busca contínua de harmonia entre áreas estratégicas.

O projeto "Um modelo de conservação da biodiversidade", da Klabin foi premiado com menção honrosa.


Fonte:
ASCOM-CNI