Carvão catarinense poderá ser usado como filtro na indústria têxtil


O carvão catarinense - considerado de baixa qualidade por produzir grande quantidade de cinza - é usado basicamente para queima na termo-elétrica de Jorge Lacerda, para produção de energia. Entretanto, o trabalho de dois professores da UFSC, Humberto Jorge José, do Laboratório de Cinética Catálise e Reatores e Regina de Fátima Moreira do Laboratório de Desenvolvimento de Processos Tecnológicos, deve mudar essa situação. Juntos, descobriram que o carvão mineral catarinense, depois de ativado em um processo térmico, serve como adsorvente para corantes da indústria têxtil. Trocando em miúdos: ele é capaz de concentrar muita matéria orgânica, em estado líquido ou gasoso, em pouco volume e por isso pode ser utilizado como filtro no tratamento dos dejetos de indústrias poluentes, no caso do estudo, basicamente têxteis.

O grande benefício do uso do carvão ativado como filtro é seu baixo custo. Regina Moreira já estuda adsorventes - substâncias capazes de concentrar matéria em seu interior - há dois anos e nesse período trabalhou com diversos materiais, desde os já usados comercialmente, caso do carvão vegetal ativado, até substâncias novas como a alumina e a argila ativada. Desde julho, trabalhando em parceria com Humberto José, ela começou a testar o carvão catarinense e descobriu que, mesmo sem tratamento para reduzir a cinza, ele é capaz de reter quase tanta matéria quanto os já usados comercialmente com um custo menor. " Em termos de gasto-benefício, é o melhor material que encontramos".

O baixo custo pode ser explicado pelo pouco tratamento que o carvão necessita para ser usado como adsorvente. Isso porque o carvão da camada geológica bonito com 60% de cinzas, utilizado pelos pesquisadores, precisa apenas de tratamento térmico para se tornar um bom adsorvente.

Para outros fins, como a combustão em termo-elétricas, ele precisaria de tratamento para melhoria de qualidade, o que não é vantajoso economicamente, já que o carvão colombiano, com alíquota zero de importação, tem apenas 8% de cinzas e chega ao país com custo menor do que o carvão tratado. Graças a isso tudo, a Carbonífera Criciúma já procurou os pesquisadores da UFSC para um possível trabalho em conjunto.

Fato interessante é que os professores alcançaram o melhor resultado com um carvão tido como de baixa qualidade mesmo testando outros melhores. " Para a utilização como adsorvente o mineral catarinense é muito bom. Testamos até carvões com 7% de cinzas e não conseguimos resultados tão bons quanto os obtidos com carvão não tratado" explica Humberto que é o responsável pela obtenção do carvão ativado.

E o trabalho dos professores já começa a dar frutos. Tanto que o Departamento de Engenharia Química da UFSC vai participar do projeto Alfa, que começa este ano e prevê o intercâmbio de estudantes das Universidades do Porto, em Portugal, de Eindhovin, na Holanda, de Baia Blanca, na

Argentina e da UFSC. O projeto será destinado a alunos de doutorado e pós-doutorado. Além disso, três artigos dos pesquisadores, relatando suas experiências com o carvão catarinense, devem ser publicados em breve em revistas científicas internacionais.

Fonte: UNABERTA