Copene e Copesul dão bolsas para pesquisa de soluções industriais


Companhia Petroquímica do Nordeste - COPENE, Pólo Petroquímico de Camaçari, Bahia. Naquela empresa, há bastante tempo, um problema preocupava os técnicos e a direção. Um problema operacional, de inundação de uma coluna, na unidade de desmetanização, onde são separados os gases leves e o metano do produto proveniente do processo de craqueamento (quebra) térmico da nafta (matéria-prima dos pólos petroquímicos). Depois de consultar, sem sucesso, empresas especializadas do Brasil, EUA, e de outros países, a COPENE apostou na capacidade da equipe de especialistas dos Laboratórios de Controle e Integração de Processos (LACIP), e de Simulação (LASIM), ambos do Departamento de Engenharia Química da Escola de Engenharia da UFRGS. E desde março deste ano vem pagando uma bolsa de estudos para que o mestrando Leandro Porto Lusa. pesquise as soluções do seu problema, sob a orientação dos professores Argimiro Resende Secchi e Jorge Otávio Trierweiler. A solução do problema de inundação consiste principalmente no entendimento da dinâmica do processo. Esse entendimento permitirá que se desenvolva uma estratégia de controle capaz de evitar a inundação que ocorre principalmente durante o aumento de carga da unidade, além de reduzir as perdas de eteno, ambos fatores cruciais para o sucesso econômico da unidade. Os resultados, previstos para serem apresentados em fevereiro do ano 2000, já foram parcialmente mostrados à COPENE, em abril, e o entusiasmo de todos permite prever que antes do fim do ano, a solução será dada.

A parceria com a COPENE faz parte de uma estratégia dos professores da Pós-Graduação em Engenharia Química da UFRGS, na busca de parcerias para envolver seus mestrandos na solução de problemas reais (especialmente os problemas críticos, de difícil solução) das indústrias do setor. Eles conceberam um modelo de funcionamento do curso pelo qual os alunos usam as bolsas das agências financiadoras (CNPq, CAPES, etc.) para fazer seus créditos, no primeiro ano. No segundo ano, os alunos que já têm algo a contribuir para as empresas passam as bolsas das agências para os novos, e recebem bolsa das próprias empresas para produzir sua dissertação a partir de um problema apresentado. Com a COPESUL, aqui no RS, o LASIM e o LACIP estão trabalhando nos mesmos moldes, e o mestrando Christian Barg está recebendo uma bolsa para desenvolver modelos matemáticos para um simulador das unidades de purificação de hidrogênio das duas plantas da empresa (a tecnologia foi comprada pronta e os engenheiros da COPESUL procuraram a Escola de Engenharia para compreender e dominar melhor suas potencialidades, simular cenários para falhas e configurar operações).

Em conjunto, COPENE e COPESUL ainda financiam um terceiro mestrando, Luciano André Farina, que está desenvolvendo um software (o RPN-Toolbox) de controle de processos, integrado ao software MATLAB, para ser usado nas decisões sobre os projetos de sistemas de controle das unidades. O próprio Luciano atesta orgulhoso a eficiência do método utilizado no mestrado: "É bom porque todo mundo trabalha junto, mostra tudo o que foi feito, as dificuldades e as soluções". Enquanto testa seu software, comparando com resultados obtidos através de outras ferramentas, e tem certeza de que o produto de seu trabalho será utilizado no processo produtivo, faz planos para o futuro, em uma indústria ou, quem sabe, em um doutorado. A propósito, ele se sente habilitado para qualquer uma das alternativas.

Mesmo as dissertações de mestrado que não estão sendo patrocinadas por empresas têm recebido uma grande atenção por parte da indústria. Esse é caso do mestrando Marício Simões Posser (bolsista CAPES) que está desenvolvendo sua dissertação sobre Rede de Modelos Locais (RMLs). As RMLs podem ser aplicadas com uma série de vantagens nas mesmas áreas em que hoje estão sendo aplicadas as Redes Neurais. A OPP Petroquímica já se mostrou interessada em comparar os resultados obtidos com essa nova metodologia com os alcançados com redes neurais, na unidade industrial de Triunfo.

 

Fonte: Jornal da Escola de Engenharia da UFRGS