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Energia elétrica: um produto à venda |
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O projeto Automatização da Produção de Energia Elétrica de Centrais até 1 MW está sendo desenvolvido desde 1996, com recursos da FAPERGS, coordenado pelos professores Anildo Bristoti e Ály Ferreira Flores Filho. Foi motivado pela possibilidade (agora prevista pela legislação) de que empresas privadas atuem como autoprodutores de energia e participem diretamente da geração e comercialização de energia elétrica. Prevê o aproveitamento de pequenas quedas dágua de 15 a 130 metros (existentes, por exemplo, na zona alta do estado), capazes de gerar energia para abastecer pequenas comunidades rurais com um consumo médio de 2kW por família. A capacidade de geração das pequenas centrais depende da altura da queda dágua, da sua vazão e do volume de acumulação de água no reservatório. A energia pode ser consumida pela própria empresa, distribuída localmente ou vendida à concessionária local de distribuição. Existem ainda poucos investimentos desse tipo instalados no RS considerando o potencial existem. O baixo número de investimentos no setor se explica pela falta de recursos governamentais e pelos impedimentos legais que existiam até bem pouco tempo, quando geração e distribuição de energia eram monopólios de empresas estatais. Além disso, também há pouca cultura entre os empresários para perceber que a eletricidade pode ser um produto comercializável. Em conseqüência desses fatores, e da evidência das carências do Estado nessa área (vide os "apagões" freqüentes no verão), a potencialidade de expansão dessa área é enorme. Só no Rio das Antas estima-se uma capacidade de 1,1 GW. Implantar uma pequena central hidrelétrica custa hoje, em média, cerca de US$ 1,500/kWh dependendo de seu porte. O projeto que está sendodesenvolvida na Escola de Engenharia da UFRGS está justamente testando formas de diminuir o valor do investimento e do custo de operação, seja utilizando alternativas de automação de centrais, seja substituindo componentes da central, especificamente o tipo de gerador. No primeiro caso - automação dos comandos das centrais - os pesquisadores estão usando equipamentos eletrônicos que permitem controlar as condições de funcionamento da turbina e do gerador, medindo grandezas do processo, como tensão, energia, velocidade da turbina, executando ações de controle e proteção de equipamento e outras. Tudo isso poderá ser operado remotamente, eliminando a figura dos operadores que hoje ficam em tempo integral à disposição do controle das máquinas na usina. A importância do custo de operação demonstra-se pelo custo de operação manual ser quatro vezes maior que o custo da operação automatizada. Outro elemento que está sendo testado (isoladamente ou em conjunto com a automação), para diminuir os custos de uma pequena central hidrelétrica, é uso de motor de indução como gerador isolado ou interligado. Sendo uma máquina mais robusta, de manutenção mais barata e com maior oferta do que os geradores síncronos usados normalmente em geração, os motores de indução apresentam-se como uma opção mais barata, particularmente na faixa que vai até 100 kW de potência gerada. A microcentral hidrelétrica experimental da Escola de Engenharia já está usando esta alternativa, com sucesso. Concluído o projeto, com os resultados promissores que já se antevê, a tecnologia desenvolvida poderá ser repassada às empresas interessadas. Do ponto de vista acadêmico, este é um trabalho de enorme valor, pois já serve como equipamento de ensino e pesquisa, em nível de graduação e de pós-graduação. Duas dissertações de mestrado já estão sendo feitas a partir do desenvolvimento do equipamento, e vários alunos o estão testando em seus trabalhos de iniciação científica, de estágio e de conclusão de curso. Fonte: Jornal da Escola de engenharia - UFRGS
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